Mundo Ásia: A crise dos tigres asiáticos

Ocorreu primeiramente pela crise dos tigres asiáticos, chamados assim pelas suas altas taxas de crescimento desde a década de 80. Porém, a expansão econômica passaria a depender de aumentos de eficiência e de produtividade, não sendo possível para eles repetirem os altos índices.

Juntamente com isso, a cerca de dois anos, a recuperação da economia dos Estados Unidos atuou no sentido de diminuir a competitividade da produção dos tigres asiáticos, ou seja, houve declínio do crescimento nas economias asiáticas. A queda nos lucros das empresas indicava que as cotações das suas ações estariam sobrevalorizadas, já que o valor representado é a expectativa de lucro futuro. Como essa expectativa diminui, o valor das ações seguiu o mesmo caminho.

Os reflexos da crise no Brasil

A crise financeira atingiu especialmente o Brasil – a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a que mais caiu em todo o mundo – por duas razões principais:

Para compensar os prejuízos que tiveram na Ásia, os investidores venderam papéis em outras bolsas de valores por todo o mundo para poderem fechar o dia sem perdas. Com isso, provocaram quedas em cadeia do valor das ações, pois, quando estas são vendidas, o preço tende a baixar. Quando essa venda é maciça, os preços despencam, fazendo com que os índices das bolsas de valores também caiam. Foi assim que o efeito da crise financeira asiática se espalhou pelo mundo.

Pelo medo de que a crise chegasse no Brasil tão forte quanto nos países do sudeste asiático, muitos resolveram levar seu dinheiro para lugares mais tranquilos.

Esses dois fatores, aliados a uma tentativa de especulação contra o real, resultaram numa intensa saída de capital do país, o que poderia ter conseqüências sérias para a economia brasileira, como foi amplamente divulgado pela imprensa.

Soluções para a crise no Brasil

  • Venda de reservas

O Banco Central vendeu o equivalente a quase US$ 10 bilhões em divisas, subtraídas de uma reserva total de US$ 60 bilhões que o Brasil possui. Com isso, a autoridade monetária evitou que a cotação do dólar subisse além de sua margem de flutuação.

  • Aumento dos juros

O Banco Central também aumentou a taxa básica de juros de 1,58% para 3,05% ao mês, através da venda de títulos cambiais, visando incentivar os aplicadores a não abandonarem o país. Em outras palavras, o BC tomou empréstimos do sistema financeiro com a promessa de que irá pagá-los com elevadas taxas de juros mais correção cambial. Desse modo, o título dá a garantia ao investidor de que não perderá com eventuais mudanças no câmbio, além de sinalizar aos agentes econômicos que o BC não pretende desvalorizar a moeda, pois, caso isso ocorresse, o próprio banco seria o principal perdedor.

  • Compra de ações por estatais e fundos de pensãos

O governo estimulou os fundos de pensão e obrigou as empresas estatais a adquirirem ações nas bolsa de valores, buscando, assim, manter o valor das ações e evitar quedas ainda maiores desses ativos.

  • Socorro às instituições financeiras

Muitas instituições financeiras brasileiras e bancos de varejo (responsáveis por 41% dos negócios nas bolsas de valores) apostaram em uma desvalorização do real e, com isso, passaram a adquirir dólares. Como a taxa de câmbio não se alterou significativamente, em determinado momento, os bancos possuíam pouca liquidez (dinheiro em caixa) para honrar seus compromissos. Ou seja, não tinham dinheiro para pagar as compras antecipadas de dólares e atender seus clientes nas agências. Assim, o BC voltou a agir, resgatando títulos da dívida pública (com o pagamento antecipado de empréstimos contraídos anteriormente) em poder dessas instituições. Dessa maneira, o BC injetou dinheiro nos bancos para que não corressem o risco de quebrar depois de especularem contra o real.

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